Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
sábado, março 31, 2007
quarta-feira, março 28, 2007
Mendicância Cultural
www.zeromm.com.br (menu "Patrocine o Festival" ou "leia o release do festival" em "projetos"-"festival")
Não é corrente de internet, mas, por favor, repassem aos amigos.
Não é corrente de internet, mas, por favor, repassem aos amigos.
sexta-feira, março 23, 2007
Diálogo do absurdo
O contrário de morte não é vida, é amor.
E quem foi que disse que a vida não é fácil? A gente é que é difícil pra vida. Ela que deveria reclamar.
Claro claro, eu já sei de tudo. Só não me mato porque eu sei que é legal viver.
Mas se ela for dizer "farofa" com farofa na boca, fica deturpada a palavra, ainda que isso seja metalinguístico.
Só que a Europa não é país! É continente. Contém países ricos e pobres, alguns estão em guerra. Sim, é verdade que a Chechenia tá em guerra, descobri recentemente.
Essa gente de blog gosta de teatro, né?
A aba do meu chapéu é inexistente e contínua ao mesmo tempo, ele é redondo. E vermelho.
Pra que gravatas coloridas se a gente sabe que por baixo eles estão de cueca e só?
A vida é mais legal com eles. É? É. Sei lá. Bla bla bla demais pra mim. Também acho.
Reclaim the Streets!
Ah, acho que não...
Instruções: Cuidado, é mais divertido ler em voz alta.
E quem foi que disse que a vida não é fácil? A gente é que é difícil pra vida. Ela que deveria reclamar.
Claro claro, eu já sei de tudo. Só não me mato porque eu sei que é legal viver.
Mas se ela for dizer "farofa" com farofa na boca, fica deturpada a palavra, ainda que isso seja metalinguístico.
Só que a Europa não é país! É continente. Contém países ricos e pobres, alguns estão em guerra. Sim, é verdade que a Chechenia tá em guerra, descobri recentemente.
Essa gente de blog gosta de teatro, né?
A aba do meu chapéu é inexistente e contínua ao mesmo tempo, ele é redondo. E vermelho.
Pra que gravatas coloridas se a gente sabe que por baixo eles estão de cueca e só?
A vida é mais legal com eles. É? É. Sei lá. Bla bla bla demais pra mim. Também acho.
Reclaim the Streets!
Ah, acho que não...
Instruções: Cuidado, é mais divertido ler em voz alta.
sábado, março 17, 2007
domingo, março 11, 2007
Encontro Paulista de Cineclubes
| Na sexta, um recado pra mim: "Natália, liga pro Calebe pq sobrou um quarto pra você em Atibaia, pro encontro de cines. Matheus". Eu liguei e fui no dia seguinte. Cheguei meio perdida, mas fui conhecendo uma porrada de gente legal, fazendo lobby do festival e contatos que nem são necessariamente pra Zero. Falei com gente de cineclube pequeno, de sala popcine, de cineclube de bar, de metareciclagem, vj's, diretores de teatro, ator do parlapatões (que em breve fará exibições), brancos, pretos, índios, adolescentes, velhos, adultos...Tudo gente doida. A pessoa mais legal de todas de lá é o Benê Silva. Primeiro porque ele me fez rir a viagem inteira de volta. Fala graça sem parar, ri e, ou mostra a língua enorme e rosa, toda pra fora contrastando com a pele preta e o cabelo branco, ou interrompe a risada de repente, mudando a direção do olhar. De repente mesmo, do nada. Ele não é daquelas pessoas que dão chance pra você perguntar ou afirmar muitas coisas. Mesmo porque, além de falar o tempo todo, ele não consegue ficar muito tempo no mesmo assunto, logo muda o foco de interesse da cabeça dele. Não sei se é por caduquez, por pensar muita coisa, ou por beber muita cachaça. Muita. Ele fuma muito também. Ele é tudo em exagero. Uma frase que me veio agora dele: "Estou velho demais e bêbado o suficiente!" (ele não queria discutir um assunto sério naquele momento). Ele também disse: "Não sou do movimento negro, sou um negro em movimento." A gente passou pela Pinacoteca, já aqui em SP, e ele disse, depois de interromper um outro assunto chato e sério: "Eu estudei aqui." Eu: "Na Pinacoteca?" Ele: "Aqui era a Escola de Arte Dramática de SP quando eu me formei, em 1964." Cheguei em casa agora e digitei o nome dele no google. Me assustei com a quantidade de filmes que ele já fez. Mas o mais foda foi a capacidade dele de me fazer rir sem parar, sem falar nada com nada. "Benê, você já nasceu assim ou foi ficando assim com o tempo?" - Zagati, outro velho cineclubista engraçado, foi quem perguntou. Fim de semana gostoso, com gente gostosa de conviver. Adoro ter a opção de não separar trabalho de felicidade e naturalidade. |
quinta-feira, março 08, 2007
| Estou com um problema grave com celulares. Meu anterior foi definhando até a morte. Meu pai fez a eutanásia dele, sem nem direito a agenda de volta. O de agora tá todo triste. Primeiro, ele ficou mudo. Isso foi recentemente, ele não emite nenhum som, nem o da voz das pessoas que me ligam, nem toca, nem nada. Agora eu coloquei ele pra carregar, o que em si já é bem difícil, porque o encaixe é molenga depois que eu forcei pra caber o carregador, e ele escreveu, ao invés de "carregando", "temperatura anormal". Ou seja, ele está febril. Minha mãe disse que vai me dar o antigo dela, que celular capenga é presente de madrasta, o que não deixa de ser verdade. Ela vai comprar outro e eu ganho o atual dela. Vamos ver se dessa vez funciona, ou se ele estraga e eu compro um ou, ainda, se eu me livro dessa idéia fixa de ser encontrada por todos de uma vez. Alguém leu esse texto inútil até aqui? |
sexta-feira, março 02, 2007
Esquizofrenia tripla
Ontem eu cheguei em casa, dei oi pra minha mãe com um beijo no rosto. Tirei a mochila, o mp3, o tênis e as meias, a calça... Alimentei meu peixe no dedo e deitei na minha cama pra terminar de ler um livro do Roberto Freire.
Enquanto eu me entretia com o livro, meu irmão ouvia reggae no quarto dele. O casal do apartamento ao lado fazia sexo. Dá pra ouvir, as paredes do meu prédio sã0 finas. Minha mãe assistia big brother na TV da sala, discutindo coisas do programa com meu irmão menor. O barulhinho da TV me incomoda, mesmo quando tá com o volume no zero. Mas, apesar dos ruídos, eu me concentrei no livro. O Roberto Freire é foda.
Depois, peguei algo pra comer na cozinha e liguei o som pra ficar olhando pro teto enquanto comia. Sucrilhos com leite. Caiu um pouco na minha camiseta. Tomei um banho frio e dormi, cansada, mas feliz com o momento de rotina agradável.
Enquanto isso, outra parte de mim estava colando lambes e fazendo stencils na rua.
A outra assistia uma peça. Nos Satyros, talvez.
Não sei quem escreve isso.
Enquanto eu me entretia com o livro, meu irmão ouvia reggae no quarto dele. O casal do apartamento ao lado fazia sexo. Dá pra ouvir, as paredes do meu prédio sã0 finas. Minha mãe assistia big brother na TV da sala, discutindo coisas do programa com meu irmão menor. O barulhinho da TV me incomoda, mesmo quando tá com o volume no zero. Mas, apesar dos ruídos, eu me concentrei no livro. O Roberto Freire é foda.
Depois, peguei algo pra comer na cozinha e liguei o som pra ficar olhando pro teto enquanto comia. Sucrilhos com leite. Caiu um pouco na minha camiseta. Tomei um banho frio e dormi, cansada, mas feliz com o momento de rotina agradável.
Enquanto isso, outra parte de mim estava colando lambes e fazendo stencils na rua.
A outra assistia uma peça. Nos Satyros, talvez.
Não sei quem escreve isso.
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