quarta-feira, novembro 28, 2007

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

O Caetano às vezes tem razão.

A faculdade começou, eu fiquei vai-não-vai desde o início. Ela começou não, eu que comecei ela. Assumo.
Pela primeira vez eu falo sobre o início. Acho que por estar no fim.. Aí penso logo como algo distante, quase como se tivesse sido em outra vida. Não que não tenha sido.

Depois foram vindo coisas como o teatro, o nelson rodrigues, um lugar cheio de gente na contra-mão e uma horta, uma banda chamada mombojó, um cara chamado otto, a minha vontade de fazer cinema e vídeo, o david lynch e o charlie kaufmann, uma terapia que chama soma e um monte de gente de ponta-cabeça, o manoel de barros, o caeiro e a stela do patrocínio, ah...
Acabou que virei do avesso, descobrindo como, na verdade, já estava toda ao contrário.

Será que é isso que costumam chamar de universidade?

Hilda Hilst

Poemas Malditos, Gozosos e Devotos


É neste mundo que te quero sentir
É o único que sei. O que me resta.
Dizer que vou te conhecer a fundo
Sem as bênçãos da carne, no depois,
Me parece a mim magra promessa.
Sentires da alma? Sim. Podem ser prodigiosos.
Mas tu sabes da delícia da carne
Dos encaixes que inventaste. De toques.
Do formoso das hastes. Das corolas.
Vês como fico pequena e tão pouco inventiva?
Haste. Corola. São palavras róseas. Mas sangram.

Se feitas de carne.

Dirás que o humano desejo
Não te percebe as fomes. Sim, meu Senhor,
Te percebo. Mas deixa-me amar a ti, neste texto
Com os enlevos
De uma mulher que só sabe o homem.