quarta-feira, outubro 07, 2009

Juízo

Juízo. Seus cisos cutucavam o fundo de sua gengiva. As contas a pagar, final de mês, pilhas de louça suja.
Quem sabe um filho.
Quem sabe um livro.
Quem sabe fugir de mochila nas costas.
Não.
Aquela hora, a única que ela sabia lhe pertencer, o agora, era...da música.
Nada, nem casa, nem contas, nem dívidas, nem promessas, nem memórias, nem falta de memórias, nem projeções... Só uma flauta.
Era como ela queria levar a vida.
O juízo que cutucasse o fundo da gengiva, nem isso pararia o ar do pulmão saindo por chaves abertas ou fechadas do instrumento.
Era aquele o momento.

2 comentários:

Ni disse...

música, movimento de vida.

Coletivo Conspiração disse...

é isso... é isso...