(parodiando o Caio, novo amigo de encontro e conexão inesperada - unzuhause77.blogspot.com/)
1 - pelo cinema, que me desperta
2 - pela música, que me relaxa
3 - pelos dias que nascem azuis
4 - pelas viagens, de todos os gêneros, números e graus
5 - pela exploração de todos os recantos do meu corpo, da minha alma
6 - pela exploração de todos os recantos dos corpos dos outros, das almas dos outros (ou até onde permitam que eu vá)
7 - pela exploração de todos os recantos do mundo (ou até onde eu conseguir chegar)
8 - pelos cafés pretos e pães na chapa na padaria, e pelos pequenos furtos, nos dias de pouco dinheiro
9 - pelos encontros e conexões inesperadas
10 - pela poesia
domingo, dezembro 28, 2008
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Livre-arbítrio
cada poesia
abre e fecha o registro
o relógio de água da minha vida
que corre em contagem regressiva
máquina: um dia pifa
isso se eu não acabar com tudo antes.
lentamente pego caderno e lápis
caneta não
a sensação só me transita
já não escrevo com rapidez
hoje minha avidez não é aflita
ponho a cama nas costas
a cabeça nas nuvens
o corpo em mãos
e curto a sensação que não tem palavras
não sou máquina não
sou vida, enquanto houver vida
sou descontrole
descabida
não caibo em mim
de tanto amor
de tanta dor
hora calma
hora aflita
explodindo em pequenos gozos de fogos de artifício
ao longe, sacrifício
de perto, suplício
por vida, mais vida, mais e mais vida
logo caminho, o meu pra mim
o teu pra ti, o dele pra ele
vida, até a morte
escolho a escolha
junto com a sorte
conheço meu destino nos olhos dos outros
mas sou como poucos
só aceito meus karmas
munida das minhas armas
abre e fecha o registro
o relógio de água da minha vida
que corre em contagem regressiva
máquina: um dia pifa
isso se eu não acabar com tudo antes.
lentamente pego caderno e lápis
caneta não
a sensação só me transita
já não escrevo com rapidez
hoje minha avidez não é aflita
ponho a cama nas costas
a cabeça nas nuvens
o corpo em mãos
e curto a sensação que não tem palavras
não sou máquina não
sou vida, enquanto houver vida
sou descontrole
descabida
não caibo em mim
de tanto amor
de tanta dor
hora calma
hora aflita
explodindo em pequenos gozos de fogos de artifício
ao longe, sacrifício
de perto, suplício
por vida, mais vida, mais e mais vida
logo caminho, o meu pra mim
o teu pra ti, o dele pra ele
vida, até a morte
escolho a escolha
junto com a sorte
conheço meu destino nos olhos dos outros
mas sou como poucos
só aceito meus karmas
munida das minhas armas
quarta-feira, dezembro 17, 2008
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Cegueira
Feche os olhos. Leia esse texto de olhos fechados ou, de preferência, não leia. Peça pra alguém ler pra você, se quiser escuta-lo. Você também pode tentar descobrir nele algum cheiro ou gosto, mas não pense a respeito de sua grande mensagem, ele não tem nenhuma grande mensagem que você já não saiba. Só estou colocando as coisas nos meus termos, caso queira saber.
O universo se manifesta de uma forma muito específica em cada um. Pode chamar de Deus se preferir, mas a questão é simples. Tão simples que não vou falar sobre ela, vou falar sobre como estou aprendendo a lidar com ela. Aprender significa descobrir que é possível.
As palavras no papel, ou na tela do computador, são imagens desenhadas. Nós podemos vê-las, não podemos toca-las, mas sabemos bem que elas estão aí. Fomos educados pra isso, descobrimos que é possível durante todo nosso passado. Também sabemos por experiência própria que o papel (ou a tela) também podem ser tocados. Diz-se que os índios daqui não viram as caravelas dos portugueses quando eles chegaram pela primeira vez na costa.
A vantagem dos cegos, dos cachorros e das plantas é que as pessoas conseguem olhar pra eles sem travas, porque sabem que eles não vão perceber. Pelo menos eu sentia assim, mas descobri que é um engano.
Concreto, palpável, sólido. Isso tem a ver com o tato.
É visível, aparenta. Aí é visão.
Também dá pra falar do cheiro, do sabor e do som, mas a realidade tem ainda outros sentidos que não precisamos catalogar, mas podemos aprender a perceber como parte da realidade. É só uma questão de conseguir alternar o foco pra essas sensações também.
Aprendi isso por causa de um garoto cego no metrô. Comecei a olhar e fui ficando cada vez mais curiosa com a beleza dele, ele tinha uma beleza muito específica, difícil de explicar, com lábios grossos e, apesar de eu não ter visto seus olhos, tenho certeza de que eram fundos. Comecei a perceber os detalhes e, quando vi, ele estava reagindo à minha energia, aos meus pensamentos. Não dissemos nada. Ele não me viu, mas tenho certeza de que ele me percebeu, e gostou de mim como eu gostei dele, logo de cara.
O necessário e suficiente, por que logo fomos embora, cada um pro seu caminho, e eu aprendi com ele que aceitar os limites é também ampliar o que houver neles de potencial. Assim se vive o que for necessário, de preferência chorando e sorrindo o suficiente.
O universo se manifesta de uma forma muito específica em cada um. Pode chamar de Deus se preferir, mas a questão é simples. Tão simples que não vou falar sobre ela, vou falar sobre como estou aprendendo a lidar com ela. Aprender significa descobrir que é possível.
As palavras no papel, ou na tela do computador, são imagens desenhadas. Nós podemos vê-las, não podemos toca-las, mas sabemos bem que elas estão aí. Fomos educados pra isso, descobrimos que é possível durante todo nosso passado. Também sabemos por experiência própria que o papel (ou a tela) também podem ser tocados. Diz-se que os índios daqui não viram as caravelas dos portugueses quando eles chegaram pela primeira vez na costa.
A vantagem dos cegos, dos cachorros e das plantas é que as pessoas conseguem olhar pra eles sem travas, porque sabem que eles não vão perceber. Pelo menos eu sentia assim, mas descobri que é um engano.
Concreto, palpável, sólido. Isso tem a ver com o tato.
É visível, aparenta. Aí é visão.
Também dá pra falar do cheiro, do sabor e do som, mas a realidade tem ainda outros sentidos que não precisamos catalogar, mas podemos aprender a perceber como parte da realidade. É só uma questão de conseguir alternar o foco pra essas sensações também.
Aprendi isso por causa de um garoto cego no metrô. Comecei a olhar e fui ficando cada vez mais curiosa com a beleza dele, ele tinha uma beleza muito específica, difícil de explicar, com lábios grossos e, apesar de eu não ter visto seus olhos, tenho certeza de que eram fundos. Comecei a perceber os detalhes e, quando vi, ele estava reagindo à minha energia, aos meus pensamentos. Não dissemos nada. Ele não me viu, mas tenho certeza de que ele me percebeu, e gostou de mim como eu gostei dele, logo de cara.
O necessário e suficiente, por que logo fomos embora, cada um pro seu caminho, e eu aprendi com ele que aceitar os limites é também ampliar o que houver neles de potencial. Assim se vive o que for necessário, de preferência chorando e sorrindo o suficiente.
sábado, dezembro 06, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Cadê Teresa?
Em tempos de pais atirando filhos pelas janelas, minha avó matou Tereza. Mandou matar.
Por três vezes em minha casa ligaram por aquele falso sequestro. Uma voz desesperada ao telefone, que os pais costumam jurar que é igualzinha a de seus filhos:
"Mãe, me ajuda mãe! Socorro mãe, me pegaram mãe!" Quando foi meu pai quem atendeu, entregou o nome do meu irmão, mas minha avó entregou o nome da Tereza. E não existe nenhuma Tereza:
"Tereza, é você?"
E Tereza passou o telefone pros "sequestradores", que logo pediram resgate.
Avó (desesperada) - Meu Deus, o que vocês vão fazer com a Tereza se eu não pagar?
Sequestrador (malvado) - Nós vamos matar Tereza!
Avó - Então pode matar a Tereza.
Sequestrador - Nós vamos matar sua filha! Você não tem amor pela Tereza?
Avó - É uma bandida que nem vocês. Pode matar que eu autorizo.
tu tu tu...
E o que sobra é o questionamento pra minha avó:
"E se foi engano e eu matei mesmo alguma Tereza?"
Já dizia o Jorge Ben:
Tereza foi ao samba lá no morro
E não me avisou
Será que arrumou outro crioulo
Pois ainda não voltou...
Mas!
Cadê Tereza?
Onde anda a minha Tereza?
Cadê Tereza?
Onde anda a minha Tereza?...
Por três vezes em minha casa ligaram por aquele falso sequestro. Uma voz desesperada ao telefone, que os pais costumam jurar que é igualzinha a de seus filhos:
"Mãe, me ajuda mãe! Socorro mãe, me pegaram mãe!" Quando foi meu pai quem atendeu, entregou o nome do meu irmão, mas minha avó entregou o nome da Tereza. E não existe nenhuma Tereza:
"Tereza, é você?"
E Tereza passou o telefone pros "sequestradores", que logo pediram resgate.
Avó (desesperada) - Meu Deus, o que vocês vão fazer com a Tereza se eu não pagar?
Sequestrador (malvado) - Nós vamos matar Tereza!
Avó - Então pode matar a Tereza.
Sequestrador - Nós vamos matar sua filha! Você não tem amor pela Tereza?
Avó - É uma bandida que nem vocês. Pode matar que eu autorizo.
tu tu tu...
E o que sobra é o questionamento pra minha avó:
"E se foi engano e eu matei mesmo alguma Tereza?"
Já dizia o Jorge Ben:
Tereza foi ao samba lá no morro
E não me avisou
Será que arrumou outro crioulo
Pois ainda não voltou...
Mas!
Cadê Tereza?
Onde anda a minha Tereza?
Cadê Tereza?
Onde anda a minha Tereza?...
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